Para alguém como eu, que tem 'trinta e pouquinhos' ou está perto da casa dos 'inta', o revival dos anos 80 nos traz apenas lembranças infantis, porque as mais vívidas mesmo aconteceram nos anos 90. E quanto preconceito essa década ainda carrega! Tem gente que diz que ela não teve personalidade e mais um monte de baboseiras, mas os últimos 10 anos do século XX já começaram a ganhar status de 'tempo bom'.
Tanto que um especial de TV bem legal foi produzido pela VH1 - I Love The 90's - falando sobre cinema, música, TV, moda, acontecimentos e quinquilharias de 1990 a 1999, ano a ano, com comentários de atores de séries como Barrados no Baile, Melrose Place, Party of Five, Dawsons Creek, músicos como Liz Phair, MC 'Can't Touch This' Hammer, Michael Bolton (que tem um quadro das três maiores gatas de cada ano que é sensacional!), o babaca do Jerry Springer, o maluco do John K, criador da animação mais doida e nojenta - South Park, representada por Trey Parker na série é escrotão também, mas perde no quesito insanidade para um gato e um chiuaua de sexualidades indefinidas – já vista na telinha, entre muitos outros.
Lembra da novela das patinadoras Tonya Harding e Nancy Kerrigan? E da fuga e julgamento do O.J. Simpson? Do show sobre o nada? E aquela pulserinha que era um tipo de régua de metal que enrolava no pulso quando a batíamos contra nosso antebraço pra grudar? Daquele boneco do Elmo que entrava em êxtase quando fazíamos cócegas suspeitas em seu corpo? Da guerra entre costeletas de Brandon e Dylan (o estudante de colégio mais velho que o mundo já viu)? E filmes? Cães de Aluguel, Pulp Fiction, Clube da Luta, Matrix (o primeiro, os outros dois são um lixo e são dos anos 00), Singles, Reality Bites... E de quando era legal não lavar o cabelo e usar camisa de flanela? Ou quando cool mesmo era a onda do Britpop? Pois é, tá tudo lá.
Duvido que você consiga parar de ver antes de conferir todos os episódios dessa série tão divertida e que produz, além das muitas risadas, uma leve sensação de que estamos começando a ficar velhos.
quarta-feira, 4 de junho de 2008
terça-feira, 3 de junho de 2008
segunda-feira, 2 de junho de 2008
A alma do soul
Após seis anos sem tesão para voltar a escrever um blog, aqui estou eu de volta, e nada melhor para que essa chama se reacendesse do que algo que toca a alma. E estou falando em alma pra valer, soul mesmo. E é claro que eu tinha de começar divagando sobre algum filme, mais ainda hoje, depois de comprar uma edição especial de um daqueles que podem nem ser uma obra prima que todos se lembrarão para a eternidade, mas com certeza é um daqueles que marcam você, te fazem sentir algo diferente em sua alma. E para mim, The Commitments é um desses filmes.
A história é simples e cheia de boas sacadas, como as músicas cantadas por James Brown, Aretha Franklin, Marvin Gaye, Sam Cook e tantos outros. Simples na estrutura, mas com a vontade e a força de algo que é pra valer, que vem do fundo da alma, mesmo que a princípio pareça básico demais como a história de um irlandês nos seus vinte e poucos anos que quer montar uma banda de soul em Dublin. "Mas nós não somos brancos demais pra isso?", pergunta um dos personagens (o saxofonista) para o protótipo de empresário musical, que responde: "O irlandês é o negro da Europa. Então diga comigo: Eu sou negro e tenho orgulho disso!" Oués!
Vendo pequenos documentários do DVD extra você logo percebe que o filme é por si só uma obra feita sem lá muita grana, mas com muito coração. Os atores principais na verdade nem são atores, são músicos. Mas é desse 'jeitinho irlandês' de se ir levando as coisas com raça e diversão que todo o filme é realizado. E tirando aquele inglês carregado e engraçado, o tempo chuvoso quase onipresente, e um detalhe ou outro... além de negros, eles bem poderiam também ser os brasileiros da Europa. Alguém afim de montar uma banda de música tradicional irlandesa?
A história é simples e cheia de boas sacadas, como as músicas cantadas por James Brown, Aretha Franklin, Marvin Gaye, Sam Cook e tantos outros. Simples na estrutura, mas com a vontade e a força de algo que é pra valer, que vem do fundo da alma, mesmo que a princípio pareça básico demais como a história de um irlandês nos seus vinte e poucos anos que quer montar uma banda de soul em Dublin. "Mas nós não somos brancos demais pra isso?", pergunta um dos personagens (o saxofonista) para o protótipo de empresário musical, que responde: "O irlandês é o negro da Europa. Então diga comigo: Eu sou negro e tenho orgulho disso!" Oués!
Vendo pequenos documentários do DVD extra você logo percebe que o filme é por si só uma obra feita sem lá muita grana, mas com muito coração. Os atores principais na verdade nem são atores, são músicos. Mas é desse 'jeitinho irlandês' de se ir levando as coisas com raça e diversão que todo o filme é realizado. E tirando aquele inglês carregado e engraçado, o tempo chuvoso quase onipresente, e um detalhe ou outro... além de negros, eles bem poderiam também ser os brasileiros da Europa. Alguém afim de montar uma banda de música tradicional irlandesa?
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